Para revelar de uma vez o tom do texto e dar-lhe a oportunidade de fugir logo daqui, proponho a seguinte pergunta: qual o problema de acabarmos com o planeta Terra?
Essa pergunta está martelando na minha cabeça há um bom tempo, disfarçada noutros questionamentos isolados, como por exemplo: se o homem desaparecer, alguma espécie ficará se lamentando? Ou isso é uma atividade eminentemente humana? Se a vida surgiu de amebas num lago poluído, por que isso não pode voltar a acontecer? (Criacionistas: suas fábulas sobre bonequinhos de barro ficam noutro blog.)
A verdade sobre a extinção dos dinossauros
Somos a espécie dominante do planeta - ou ao menos assim pensamos. Qual o problema de usarmos todos os recursos naturais? Qual o problema de comermos os outros animais (isso é biológico, descrito na cadeia alimentar) ou usá-los em pesquisas* (quem preferir morrer de picada de cobra a tomar o antídoto levante a mão)? Qual o problema de destruirmos o planeta ou causarmos o fim da raça humana - o que vier primeiro?
Antes de me chamarem de louco, lembrem-se que existimos há pouquíssimo tempo - em termos de idade do planeta Terra ou mesmo do Sistema Solar. Lembrem-se que o clima da Terra já foi bem pior e não havia protozoários ecologistas, temendo que algum desastre climático deixasse a Terra toda verdinha.
Recordem, ainda, que os dinossauros comiam tudo o que viam pela frente sem nenhum remorso. Ou teriam eles sido extintos por uma avassaladora conspiração ovolactovegetariana dino-xiita?
Na maior parte da história da Terra não havia seres humanos. Se acontecer de sumirmos daqui, o planeta não vai sentir nenhuma falta. Ninguém vai. Nenhuma mesmo! Só nós, seres humanos é que sofremos antecipadamente por uma hipotética autodestruição. Se poluirmos todas as águas e queimarmos todas as matas, é possível que tudo nasça de novo, em alguns milhões ou bilhões de anos. Isso já aconteceu uma vez antes. Ou várias, sei lá.
Esse discurso ecológico é, na realidade, algo totalmente narcisista, porque dá à existência humana uma importância que ela não tem. Ou tem apenas na nossa cabeça. O único problema de destruírmos a Terra é que não teremos onde morar ou o que comer ou beber - e esta é uma preocupação estritamente egoísta, numa lógica que olha tão-somente para o nosso umbiguinho medroso.
Os demais chavões, como "puxa, o problema não é a raça humana desaparecer, mas destruirmos o planeta" são mais do que patéticos, pura bobagem! O problema é morrermos mesmo. Se o planeta morrer também, não faz a menor diferença! Nossa almas vão ficar lamentando?
O ecologista diz esses chavões para parecer desprendido, altruísta, bonitinho. Provavelmente quer comer alguém. Mas na verdade ele está é se cagando de medo.
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Sting de Prius: previsível, não?
Se todo o verde fosse extinto, porém, isso não representaria a destruição do planeta - pois ele já foi assim, sem verde, só que a gente não estava aqui para ver e finge que isso não existiu. Mas foi dessa realidade inóspita que surgiu tudo o que vemos por aí, por enquanto.
Eu não tenho nenhum interesse em destruir a Terra, claro, mas também não compartilho dessa histeria coletiva em que pretendem transformar os movimentos ecológicos.
Apenas sou um pouco mais prático. Não dá para economizar Terra ou Natureza enquanto houver gente passando fome. Eu não gasto um tostão para salvar um golfinho, se esse dinheiro puder alimentar alguém. Aliás, prefiro que esse alguém coma o golfinho.
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Ao mesmo tempo, estudos que buscam entender o que há por trás do consumo de produtos ecologicamente corretos demonstram que, ao contrário do que muitos acreditam, as motivações estão muito mais voltada às questões de imagem do que de consciência verde propriamente dita.
No interessante Going green to be seen: status, reputation and conspicuous conservation (veja aqui em PDF) Griskevicius, Tybur e Van den Bergh comprovam experimentalmente que as pessoas só compram artigos ecológicos quando estão preocupadas com seu próprio status. Vestir uma etiqueta verde tem, por conseguinte, a finalidade de passar duas claras mensagens: sou preocupadinho com o meio ambiente e posso pagar por isso (claro, porque produtos ecológicos são sempre mais caros).
Leo, a gasolina não adianta, né...?
Talvez isso explique o fato de as vendas do Toyota Prius terem explodido depois que o seu incentivo fiscal foi retirado. Por este motivo, também, as empresas ecológicas gastam tanto dinheiro dizendo que as pessoas que compram seus produtos super-gracinha, também são super-gracinha - como explica o Professor Steve Martin, do Inside Influence.
Assim, uma série de perguntas antes de fechar: você já viu pijama ecológico? Travesseiro verde? Cama feita de material reciclável? E sabe por que não? Porque essas coisas não aparecem. Você não pode mostrar para o mundo o quão ecológico você é. Então não vale a pena.
Por isso eu sempre pergunto a motivação por trás de um movimento ecológico. Quando você vir aqueles vídeos super bem-produzidos sobre ecologia, lembre-se que eles custaram dinheiro e pergunte-se quem será que pagou por eles. Porque de graça não foi. Por mais super-gracinha que o ecologista seja...
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* Ah, sim! há os controles éticos para que o animal não sofra demasiada ou desnecessariamente. Mas quem estabelece tais limites? O quanto é aceitável que um animal sofra? E por que é aceitável?