Venho relutando há algum tempo em escrever sobre o tema do plágio, mas os acontecimentos desse último mês representaram a gota d'água para a minha paciência com este tipo de atitude. E como tentei entrar em contato com as pessoas envolvidas, mas nenhuma delas se deu ao trabalho de responder, vamos aos fatos:
Milli & Vanilli também fizeram sucesso com o talento alheio
Quero deixar claro, antes de mais nada, o que considero, pessoalmente, como sendo plágio ou não. O dicionário Aulete OnLine define plagiar de duas formas, que vou apresentar de maneira invertida para dar melhor fluência às minhas idéias:
"2. Imitar ou copiar (obra alheia)": Jamais me incomodei de ver meus textos reproduzidos noutros sites por aí, desde que a verdadeira autoria seja citada, ou a fonte original mencionada. Seja diretamente o meu blog (www.naopossoevitar.com.br) ou algum outro site onde eles são reproduzidos com a minha autorização, como o Administradores ou o Acerto de Contas.
Considero, inclusive, que quando alguém reproduz um texto meu em seu blog é porque gostou do que leu e, por isso, quer que seus leitores também tenham a oportunidade de conhecer minhas ideias. Fico, então, sinceramente lisonjeado com o que considero um elogio, uma homenagem.
Vez ou outra deparo-me, no entanto, com algum artigo meu num blog que não faz referência a quem o escreveu (eu, nesse caso). Na esmagadora maioria dos casos isso ocorre por desconhecimento ou ingenuidade e não por má-fé do responsável pelo blog. Normalmente, um email ou mesmo um comentário no próprio blog resolvem o assunto. O problema começa, no entanto, quanto chegamos à definição seguinte:
"1. Apresentar como seu (obra, criação, ideia etc. de outrem)": Aqui o caso não tem desculpa, pois a pessoa pega um texto de outra e assina como se fosse seu. Seja na íntegra ou apenas algumas partes, o plagiador apropria-se de algo que não lhe pertence e apresenta-o como propriedade sua.
Encontrei dois casos nesse mês que chamam a atenção não só pelo fato de as pessoas apresentarem as ideias como suas, mas também pelas posições que essas pessoas ocupam.
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Ladrões de idéias estão por toda a parte
O primeiro deles, intitulado A influência persuasiva, foi assinado por um professor no Jornal Folha de Caparaó (ES), em 26/08/2009. Não sei como se mede a semelhança entre textos, mas fiz uma contagem bastante simples: copiei o texto dele no Word e calculei a porcentagem de palavras que estão presentes também no meu artigo. Nada menos que 555 das 778 palavras do texto, aparecem no meu original O poder da influência e a influência do poder, publicado em 06/09/2008 - quase um ano antes.
Não há, no texto, qualquer citação ao meu nome, ao meu blog (ou aos outros onde o texto foi publicado), nem qualquer outra explicação para a coincidência de 71% das palavras utilizadas. Enviei um email para o endereço publicado no site no dia 06/11/2009 e até recebi uma resposta de um assessor do professor, prometendo tomar providências. Até hoje o texto permanece inalterado.
A parte (mais) triste dessa história é que o texto é assinado por uma figura Diplomática.
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Já no segundo caso, não houve qualquer tentativa em esconder a fraude: 100% do texto Porque (sic) vários medíocres têm sucesso e os gênios fracassam?, publicado em 13/09/2009 no site Artigonal, foi copiado do meu original Liderando Gênios, postado três meses antes (08/06/2009).
O pior desse caso é que a cópia foi reproduzida em vários outros sites (mais de 20), assinada pela mesma portadora de dois diplomas de PhD, professora de várias universidades e diretora de algumas entidades de classe.
Mas o lado bom aqui (se é que existe algum) é que voltaram minhas ambições de fazer doutorado. Descobri, neste episódio, como obter um título de PhD numa Universidade americana, mesmo estudando em casa, pela Internet. Se você tiver curiosidade de saber como isso é possível, a busca não é tão difícil - mesmo que você não fale inglês, porque o site da Universidade é todo em Português.
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Mesmo me sentindo um tanto inconformado - e por que não? prejudicado - com semelhantes peripécias, meu instinto belicoso ainda não chegou ao ponto de eu partir para as medidas judiciais cabíveis, ainda que elas pareçam mais do que justas. Processos e pedidos de indenização não são do meu feitio, do mesmo modo que plagiar também não faz parte dos meus recursos para conseguir mais prestígio ou audiência.
