Uma das grandes curiosidades que tenho no meu dia-a-dia de blogueiro é saber de onde vem a minha audiência. Que estranhos caminhos a leitora teria percorrido até chegar aos meus domínios? Essa pergunta é respondida, de forma até certo ponto confiável, pelo Google Analytics, uma ferramenta que faz o rastreamento do meu acesso e permite-me saber onde as pessoas estavam antes de vir aqui.
Grosso modo, 40% do meu tráfego vem de Sites de Referência, como Wikipedia, Orkut ou algum outro site onde escrevo, como o Administradores, o Acerto de Contas ou a Você S/A.
Outros 20% são Tráfego Direto, ou seja, pessoas que digitam minha URL (www.naopossoevitar.com.br) na barra de endereços, adicionaram o blog aos Favoritos ou clicam em alguma ferramenta de Feeds. (Você já reparou que pode assinar minha mailing list e receber as atualizações por email? Fica logo ali à direita, no alto.)
Os 40% restantes vêm do Google, de gente que está procurando algum assunto específico e acaba me achando, através da coincidência entre as palavras-chave buscadas e o conteúdo do blog.
Aí é que o assunto começa a ficar curioso, porque pelas ferramentas de administração do blog (que no meu caso é hospedado no TypePad), posso ver quais as palavras digitadas na derradeira busca que resultou em mais um clique por aqui - ainda que não saiba quem pesquisou. Tem de tudo...
O que mais me chama a atenção é como as pessoas escrevem mal. Vejamos alguns pitorescos exemplos:
Um internauta chegou em A sabedoria da ignorância buscando em "posso de ignorancia" talvez alguma forma de evitar afogar-se no seu próprio poço. Quem sabe tivesse pedido ajuda àquele que recentemente quis mudar sua nacionalidade pesquisando "como poço ser indiano" - e acabou na minha desaforada análise do filme que ganhou o Oscar 2009.
Noutro caso, algum pai ou educador despossuído quis saber "como fazer esperimentos quimicos de baixo custo para crianças" e acabou caindo na série de textos sobre Experimentos em Psicologia. Só espero que não tenha feito nenhum daqueles com seus pupilos (preciso colocar um aviso que não me responsabilizo caso a leitora tente repetí-los em casa...).
E como o sexo é um dos temas mais buscados no Google, o blog acaba atraindo alguns inadvertidos navegantes em busca de assuntos maliciosos, imagens picantes ou textos ardentes, através de inocentes combinações de palavras-chave.
O texto sobre censura no Flickr, desaponta quem procura por fotos de grávidas nuas, por exemplo. Já a crítica de Os Santos Justiceiros esfria os/as fãs da atriz pornô Jeanna Fine - e também os de Ron Jeremy - ao citá-os inocentemente e atrair saidinhos de plantão.
Enquanto isso, a seguinte leitora tinha dúvidas mais práticas sobre a compatibilidade de seu futuro sexual, com o passado aquático da sua religião: "posso ter relaçoes (sic) de varias (sic) posições sendo batizada nas aguas (sic)?". Sinistro, muito sinistro...
Atrás de segredos mágicos para sua próxima conquista amorosa (ou sexual?), um iletrado don juan digitou "puberdade- o que deixas as adoleçentes exitadas", aterrissando em Hormônios adolescentes e aflições adultas. Coitado, não deve ter entendido nada...
Outro desavisado aterrissou num dos textos sobre o livro Iconoclast, quando procurava um "espesialista em medo" - alguém possivelmente com pouca coragem para buscar um especialista em Português.
(O pior é que esse mesmo texto que você está lendo agora haverá, também, de atrair outra porção de inflamados sapecas...)
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Outro aspecto curioso é que alguns leitores parecem conversar com o Google, como se estivessem tirando uma dúvida com um amigo ou pedindo ajuda à mãe. Digitam frases como se alguém lesse do outro lado: "como eu acho o melhor caminho para ir de ônibus ao shopping?" ou "por favor me diga como eu peço aumento para o meu chefe."
Da mesma forma é interessante encontrar gente de outros países, outras línguas, chegando por aqui. Já tive visitas da China, Japão, Indonésia, Madagascar e outros longínquos destinos.
Até coloquei uma ferramenta de tradução no blog - já experimentou clicar nas bandeirinhas do lado direito? - mas ela não funciona para qualquer idioma. Fico imaginando se meus textos tiveram alguma utilidade para alguém que quisesse ir além das figurinhas...
O Google representa, também, o derradeiro atalho para os alunos preguiçosos. Resenhas de livros e explicações rápidas para uma infinidade de temas acadêmicos são outro must nas buscas. Internautas buscam o atalho do dever-de-casa, o resumo do trabalho escolar, a nota fácil de mão beijada. Isso, claro, partindo do princípio que os textos encontrados sejam razoáveis.
Caso a leitora seja professora e depare-se, por acaso, com um texto meu ao corrigir um trabalho escolar, por favor diga-me qual foi a minha nota e dê zero ao pupilo plagiador - ou não, porque ao menos ele consulta fontes confiáveis...
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Como essas derrapadas são constantes por aqui, o tema pode voltar numa próxima oportunidade. Se você tiver dado ao menos uma risadinha lendo esse post, deixe um comentário e eu prometo abordá-lo novamente.
UPDATE: o tema já voltou! Leia aqui Atirando o que não viu II.
