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14/07/2009

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Olá, Rodolfo.

Muito obrigado por sua visita ao Divagações e pelos links para os seus posts sobre Zimbardo. É um tema, a meu ver, dos mais importantes, e no entanto menos conhecido do que deveria. Este ano, lendo sobre massacres como o de Ruanda, voltei-me novamente para essas questões, mas infelizmente as obrigações acadêmicas têm-me cassado o tempo para o assunto.

Não sei quem é Sérgio Storch, que você mencionou no comentário, mas agradeço a ele também. Pouca gente conhece o Divagações, e é sempre ter algum feedback.

Um grande abraço,
Rodrigo.

Muito bem lembrado, Éder!

Brilhante texto, Rodolfo.
Algo parecido, porém um pouco diferente, foi narrado pelo Saramago em "Ensaio sobre a cegueira".
Uma vez num ambiente incontrolável, onde as pessoas não "viam" o que estavam fazendo, o mal se apresenta nas mais precárias circunstâncias.

Belo trabalho. O seu blog é O BLOG.
Abs.

(Eu de novo...)

Assisti agora ao vídeo, que aliás, menciona Hannah Arendt.

O final do vídeo já adianta o seu texto que virá a seguir. E me fez refletir sobre a atenção diária e necessária para que sejamos não, necessariamente, um herói, mas alguém que se importa com o outro.
Espero estar ensinando corretamente a minha filha a se enxergar no próximo.

Não tenho dúvidas que existem fatores que levem à fugir da opção pela maldade/passividade.
As teorias de Zimbardo são bastante contundentes, porém me preocupam no que tange ao grau de absolvição da culpa dos envolvidos em casos em que a maldade aflora. Sempre existe, afinal de contas, a questão da escolha individual.

Você talvez conheça um livro "Os carrascos voluntários de Hitler", de Daniel Jonah Goldhagen. Embora o autor force um pouco a mão em busca de comprovar sua teoria, aborda alguns pontos muito interessantes no tocante à participação, ainda que pelo silêncio e omissão, da população civil no genocídio contra os judeus. Aliás, o que Zimbardo diz me lembra Hannah Arendt (que o livro que eu menciono, aliás, combate).
Lembrei-me também do filme recente, Rendition (O Suspeito, no Brasil), especialmente no que tange à escolha individual frente à autoridade superior e à situação em que o mal se apresenta como "correto" ou "justificável".

Eu, no meu otimismo de leiga, procuro o máximo de informações possíveis sobre o mal e suas origens, para combatê-lo ao menos dentro de mim.
Estou aguardando ansiosa o novo texto!

Nina,

você tem razão em se preocupar com a questão do bullying, porque dos sete processos sociais capazes de tornar uma pessoa mais suscetível a cometer algum tipo de maldade, destacados por Zimbardo, acho que apenas o quinto (obediência cega à autoridade) não se aplica tanto ao ambiente escolar onde isso mais ocorre.

E o pior é que aí ainda entra um sério fator da Dissonância Cognitiva que os autores destacam em "Mistakes were made (but not by me)": a forma como as pessoas justificam seus erros. De início, uma criança nem sabe porque está na onda da turma e maltratando um colega. Mas depois que participa da primeira surra, começa a vê-lo como um fracote covarde. E aí passa a achar que ele merece mesmo apanhar.

Luiza,

como você bem destacou, a maldade não se dá apenas no nível do indivíduo; ela também pode ser perpetrada por instituições que, no final das contas, são comandadas por indivíduos.

Mas como destacou Zimbardo, a maldade pressupõe uma relação de poder, claramente identificável nas situações que você mencionou.

**********

O que adianto às duas - enquanto não termino o próximo texto sobre Zimbardo - é que A SITUAÇÃO que leva alguém a cometer alguma maldade É EXATAMENTE A MESMA que lhe oferece uma oportunidade para fazer o bem. Veremos isso na Imaginação Heróica. Até lá!

Rodolfo,
Fico pensando na questão do "poder instituído" nas "sociedades democráticas". Como fazer uma análise a partir dos experimentos de Zimbardo e Milgran?
Por que pensar apenas "favelas e cortiços"? E os grandes "condomínios de alto luxo"? E as capitais das repúblicas ou centros de poder como Londres, Washington, Brasília, Jacarta?
E as "várias sedes" dos conglomerados "transnacionais"?
As bolsas de valores? E os grandes bancos? As lojas de altíssimo Luxo? As marcas famosas que comercializam produtos feitos por crianças ou trabalho escravo? Ou "containers" de lixo tóxico e domésticos(?!!!)enviados para paízes como a Zâmbia, Filipinas ou Brasil?
E então? Por favor Rodolfo, me ajude a pensar tudo isso! Continue com os textos!!!
Grata
Luiza Helena

Realmente muito bom o texto Rodolfo.
Esse assunto sobre "maldade circunstancial", talvez possa explicar em parte, nosso grave problema de violência urbana, principalmente nas favelas. Encarar aqueles "meninos do tráfico" como meramente "bandidinhos", que não tem jeito e deveriam tudo estar na prisão, é um pensamento "burro" antes de preconceituoso frente a esse texto.

Valeu pelo post!
Abraços,

Carlos

Rodolfo,

Eis-me aqui mais uma vez fascinada com seus textos e aprendendo! Parabéns!
Pertubador é pensar como eu agiria em situação semelhante. Aliás, como mãe, tenho grande preocupação com o bullying. E meu medo não é de que minha filha se torne vítima, mas sim, algoz.
Duas coisas me chamam a atenção no seu texto:
A relação com o poder, que me recorda a famosa frase de Lord Acton: "O poder corrompe e o poder absoluto corrompe absolutamente". Não por acaso, ditaduras são sempre violentas.
Também destaco a frase "Para mudar uma pessoa você tem que mudar a situação." Neste caso, o destaque pode também ser visto de forma positiva. A mudança de situação pode também alterar positivamente o destino de alguém.
Aguardo ansiosa o novo texto!

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