Mais uma atuação previsivelmente bisonha da nossa seleção ontem à noite mostrou o momento patético que atravessa o futebol brasileiro. Com o comando sempre frágil e instável de Dunga, jogadores em má-fase em seus clubes buscam reabilitar-se vestindo a camisa canarinho - aliás, ondem, azulzinha.
Sem ir muito longe, na época de Zico, Leandro e Falcão, o jogador precisava recuperar-se e estar bem ANTES de ir para a seleção. Ele tinha que jogar muita bola em seu clube e atravessar ótima fase para poder ser convocado. Hoje, o Elano usa as Eliminatórias para tentar recuperar sua posição no... qual o time mesmo? Ronaldinho Gaúcho junta-se ao grupo para tentar emagrecer.
Estar na seleção sempre teve muito mais importância do que a situação de qualquer time, seja de que país fosse. Hoje serve de moeda de troca.
Atualmente os jogadores preocupam-se apenas com suas aparências. Um corta o cabelo à navalha, com toda a precisão que lhe falta aos passes. Outro arrisca trancinhas afro, imitanto o Predador, num visual que inspira mais riso do que medo. Brincos e pulseiras esbanjam ouro e diamantes, cujo brilho ofusca o minguado talento que ainda resta a esses medíocres jogadores. Cada chuteira tem uma cor diferente, variando do amarelo ao rosa, compondo o retrato afetado de quem um dia já jogou bola.
As atuais musas da seleção brasileira têm procedência mais do que duvidosa. Participam das raves canarinhos regadas a sabe-lá-Deus-o-quê e fazem xixi em pé...
Ronaldinho Gaúcho parece ter cadeira cativa na seleção, onde há muito não faz por merecê-la. Sua indiferença ao jogo contrasta com o que se espera dele, que fez da sua escalada ao topo um ângulo bem agudo, onde a rapidez da chegada deu lugar à queda vertiginosa.
Um programa esportivo antes do jogo ressaltava o fato de os técnicos das outras seleções estarem sempre presentes aos jogos dos campeonatos europeus. Acompanhando seus atletas de perto, eles podem ver quem está realmente atuando bem, quem tem alguns lampejos e quem escora-se num remoto passado soterrado pela implacável balança.
Só o nosso técnico não vai ao estádio. Não atravessa a rua para ver o Nilmar no Beira-Rio. Não entra num avião para acompanhar o Keirrison. Liga dos Campeões, então, nem pensar! Convoca pela televisão.
Não deveria ser assim mas hoje, mais do que nunca, ficamos aliviados em ter um dos melhores goleiros do mundo. Num jogo contra... o Equador!
