A campanha desta semana é pela redução da maioridade penal no Brasil, em virtude do brutal assassinato do jovem da foto. A todo momento pipoca nas timelines um pedido para que a imagem seja compartilhada para que, assim, a Lei seja alterada. E o que mais me deixa indignado é a cretinice de quem acrescenta a frase: fiz a minha parte.
Pois não fez! Você não fez absolutamente nada! Aliás, você fez mais mal do que bem, porque você ajudou a propagar uma mentira. A mentira de que estes movimentos, por si só, adiantam alguma coisa. Uma mentira ainda mais grotesca quando vem com uma petição online a reboque.
De uma vez por todas: petições online não tem NENHUMA VALIDADE LEGAL!
Sabe o único efeito destas campanhas? É fazer você acreditar que realmente está fazendo alguma coisa. Que é útil, que está ajudando, que participa da sociedade, que é um cidadão engajado.
Estas e outras campanhas servem apenas para você acalmar a sua consciência. E para exibir toda a sua estupidez.
Sim, a triste verdade é que você é meio estúpido. Fosse no ano passado, você ainda teria o benefício da dúvida. Mas depois de tantas petições online que não adiantaram absolutamente nada, já era hora de você ter se tocado disso.
E se você compartilhou a imagem do coreano oferecendo-se para bombardear Brasília, em troca do seu Like, então sua outra metade também é estúpida - e você é um estúpido inteiro. Porque ambas as campanhas terão exatamente o mesmo resultado. Por que você só consegue enxergar que uma delas não vai funcionar?
Mas o grande problema destas campanhas, digo, o problema coletivo, social - porque se você é um estúpido inteiro, o problema é todo seu! - é que isso adormece a sociedade. Cada um fica achando que fez o seu papel, que tomou a atitude digna. E aí dorme em paz, como se fosse a pessoa mais bacana do mundo.
Por que você acha que só a outra funciona?
E é isto que está errado! Você tem que ir dormir com o estômago embrulhado até tomar uma atitude de verdade!
Faça alguma coisa decente! Ligue para o seu deputado, mande email, vá na casa dele. Chame seus amigos, mobilize os colegas de trabalho, vá para a porta da Assembleia Legislativa, Câmara Municipal, da Prefeitura. Desligue a televisão, escreva para os jornais, publique um blog.
Mas, por favor, não compartilhe mais estas mensagens. Guarde a sua estupidez para você mesmo. Ou acabe com ela.
